
Fundado pela Aracruz Celulose em parceria com o Ibama em 1993, o Cereias – Centro de Reintrodução de Animais Selvagens, com área de 11,5 ha, está localizado em Barra do Riacho, Município de Aracruz – ES, e foi bancado exclusivamente pela empresa até 1999.
A partir de então, numa nova fase de parceria entre a Aracruz e o Ibama/ES, a empresa cede a área e as instalações num termo de comodato, e o custo de sua operacionalização vem sendo dividido entre a Aracruz - responsável pela manutenção das instalações e viveiros, custos com vigilância e combustível para os veículos de trabalho - e, atualmente, 21 empresas chamadas colaboradoras, 17 das quais contribuem com doações financeiras, 3 com alimentos para os animais, e 1 com benfeitorias, no caso da construção do Centro de Visitantes. Os veículos são cedidos pelo Ibama, que possibilita a legalização das atividades.
A administração dos recursos financeiros doados para o funcionamento do Cereias é responsabilidade da Conserve – Cooperativa Mista dos Trabalhadores Conservacionistas.
Atualmente a equipe é formada por sete pessoas incluindo uma Zootecnista, diretora e responsável técnica, uma médica veterinária, um coordenador, aluno do último período de Biologia, três tratadores que se revezam dois a dois para cobrir os finais de semana e feriados, e uma ajudante de limpeza geral, todos autônomos.
No protocolo do Centro está incluída toda a documentação necessária para um acompanhamento individual de todos os animais que são recebidos, com elaboração de termos de apreensão ou doação, fichas de entrada e de anilhamento, fichas de controle individual, controle veterinário (exames e tratamento), cadastro de áreas para soltura, termos de soltura ou doação, relatórios mensais da movimentação dos animais, enviados ao Ibama/DF e ES, e relatórios de anilhamento para o Cemave - Centro de Pesquisas para Conservação das Aves Silvestres.
Na chegada, todos os animais são identificados e as informações coletadas direcionam o manejo apropriado para cada um. As aves recebem vermífugos e suplementos vitamínicos na água dos bebedouros e são anilhadas de acordo com as recomendações do Cemave, possibilitando a futura obtenção de dados em pesquisas de ecologia e conservação das espécies. Semanalmente são coletadas amostras de fezes dos mamíferos e répteis para exames coproparasitológicos realizados pela veterinária responsável, sendo a suplementação e a vermifugação acompanhadas individualmente.
Esses procedimentos visam evitar a contaminação ambiental nas áreas de soltura, localizadas em propriedades particulares, cadastradas em municípios no ES, norte de RJ, leste de MG e sul da BA, após a realização de vistoria pelos técnicos do Cereias, onde são observados a qualidade ambiental, tamanho da propriedade, distância de vilas, conscientização ambiental do proprietário e vizinhança, entre outros.
Devido ao contato com pessoas, alguns animais apresentam comportamento pouco característico para sua espécie, sendo necessária a readaptação alimentar e comportamental até que estejam aptos a tornarem à natureza. Este processo pode levar mais de um ano.
O transporte para as solturas é realizado de forma apropriada, nas horas mais frescas do dia, minimizando o estresse dos animais.
Aqueles impossibilitados à reintrodução são transferidos para instituições devidamente regulamentadas e registradas pelo Ibama, como zoológicos e criadouros conservacionistas. Quando sua distribuição geográfica abrange outros estados, são transferidos para reintrodução em suas regiões de origem. Alguns animais exóticos que chegam ao Centro (como canários-belga, calafates entre outros) são transferidos para particulares interessados em mantê-los, já que esta situação é permitida pela legislação.
Aqueles que não resistem às atrocidades praticadas no cativeiro e morrem, são taxidermizados para uso em educação ambiental e expostos na Coleção de Fauna do Centro de Visitantes do Cereias, construído por uma das empresas colaboradoras.